O que é a dacriocistorrinostomia (DCR)?
A dacriocistorrinostomia consiste na criação de uma via funcional dos canalículos para o nariz por meio de uma abertura no osso e no saco lacrimal em direção ao interior do nariz. Pode ser realizada por via externa ou endonasal.
É uma técnica cirúrgica segura, aplicável tanto em crianças quanto em adultos, com altas taxas de sucesso (acima de 90%) - o padrão-ouro das cirurgias das vias lacrimais. Em crianças, é o tratamento definitivo quando as medidas conservadoras e a sondagem falharam. Nos adultos, é o único tratamento curativo.
Tipos de dacriocistorrinostomia: endonasal e externa
Técnica clássica (via externa)
Na técnica clássica, faz-se uma incisão na pele até a superfície óssea, remove-se um fragmento de 15 mm² do osso exposto e o saco lacrimal torna-se visível. Uma incisão no saco forma um retalho que expõe seu interior; outro retalho é formado na mucosa nasal. Ambos são unidos pela borda com sutura, criando comunicação entre a luz do saco lacrimal e a cavidade nasal. A pele é fechada com sutura subcutânea invisível.

DCR externa - retalho do saco lacrimal (SL) e da mucosa nasal (MN)
Técnica endonasal (via endoscópica)
A técnica endonasal mostrou-se tão segura e eficaz quanto a clássica, com a vantagem de não necessitar de incisão na pele. Com o advento da endoscopia, tornou-se a abordagem preferencial. Na dacriocistite aguda, é particularmente útil por drenar uma cavidade de abscesso anaeróbico para um espaço aerado, proporcionando excelente drenagem e alívio a longo prazo.
DCR endonasal - seta indica o local de comunicação entre saco e cavidade nasal.

a. perfil da mucosa nasal

b. perfil da parede óssea

c. interior do saco
Quando a dacriocistorrinostomia é indicada
- Obstrução congênita (quando todos os tratamentos anteriores foram malsucedidos)
- Obstrução adquirida das vias lacrimais, particularmente em adultos
- Dacriocistite crônica ou recorrente
- Falha de tratamentos conservadores (lavagem, intubação)
- Estenose por trauma, cirurgia ou radioterapia prévia
Nos adultos, exames por imagem estão sempre indicados previamente à cirurgia (endoscopia nasal, dacriocistografia, tomografia, ressonância magnética). A cirurgia é desaconselhada em pacientes com morbidades graves e naqueles que usam anticoagulantes ou aspirina.
Como é o pré-operatório
Avaliação por clínico, exames laboratoriais e exame da cavidade nasal reduzem os riscos. A consulta online auxilia no esclarecimento de dúvidas sobre diagnóstico, tipo de tratamento e possibilidade de cura - orientando o paciente a compreender as doenças das vias lacrimais e as diversas possibilidades de solução para cada caso.
Pós-operatório da dacriocistorrinostomia
Algum sangramento nasal nos primeiros três dias é esperado, especialmente com a técnica clássica, mas estanca logo sem necessidade de intervenção. Não há necessidade de repouso absoluto, mas deve-se evitar banhos de mar e piscina. O uso de sprays de solução salina é prescrito para remover crostas; recomenda-se evitar assoar o nariz.
Quando o canal lacrimal é entubado, o silicone é removido após dois meses - procedimento simples, sem anestesia, realizado no consultório. Quando a cirurgia é realizada pela pele, os pontos são removidos em torno de cinco dias. O paciente pode voltar às atividades normais em poucos dias, mas deve evitar exercícios físicos intensos.
Valor da dacriocistorrinostomia
O valor da dacriocistorrinostomia varia com a complexidade da técnica, uso ou não de anestesia geral e o hospital. São diversas as técnicas disponíveis: DCR clássica (com ou sem silicone), DCR com abertura de obstrução canalicular, DCR endoscópica (com ou sem silicone), DCR videoendoscópica com laser e dacrioconjuntivorrinostomia com próteses lacrimais.
O silicone é o material mais utilizado como stent (modelador), por possuir as propriedades ideais (inércia, flexibilidade e estabilidade). As próteses lacrimais disponíveis no mercado são produzidas com vidro ou vidro associado a silicone. O paciente pode contar com planos de saúde que cobrem tanto a cirurgia quanto os materiais empregados.
Dra. Marilisa Nano - experiência com DCR
A Dra. Marilisa Nano desenvolveu trabalho de tese inédito na Unicamp sobre vias lacrimais, estudando o efeito de uma droga em pacientes submetidos à dacriocistorrinostomia externa. Há mais de quatro décadas, dedica-se ao estudo da anatomia lacrimal, palpebral e nasal. A parceria com uma colega otorrinolaringologista proporcionou a descoberta de novos protocolos para os períodos pré, peri e pós-operatórios - uso pioneiro da endoscopia nasal que modificou os padrões de resultados cirúrgicos no Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se você tem indicação de cirurgia das vias lacrimais ou busca uma segunda opinião, procure uma especialista para o diagnóstico correto.
