O que é o lacrimejamento?
O lacrimejamento nos olhos é uma condição causada por produção excessiva de lágrimas ou por drenagem inadequada. O olho lacrimejando pode ocorrer em apenas um lado ou ser bilateral, de forma contínua ou intermitente - e isso vai depender da causa desencadeante. O lacrimejamento ocular pode afetar tanto recém-nascidos como adultos acima de 40 anos.
O termo lacrimejamento ocular é utilizado para os casos em que a produção de lágrimas está aumentada ou quando há falha na drenagem lacrimal. No primeiro caso, a quantidade de lágrimas é maior e geralmente bilateral - estímulos gustativos, traumas oculares e doenças da superfície da córnea costumam desencadear o lacrimejamento excessivo. No segundo caso, a dificuldade na drenagem lacrimal vem acompanhada de outros sinais e sintomas, como secreção, e tende a ser unilateral, causada por obstrução ou estreitamento do canal lacrimal.

Anatomia das Vias Lacrimais
Principais causas do olho lacrimejando
A drenagem inadequada das lágrimas é decorrente de obstruções que ocorrem ao longo da via excretora, desde os pontos lacrimais até a abertura inferior do canal para a cavidade nasal. A causa mais comum é a oclusão congênita em bebês: quando o desenvolvimento do canal lacrimal não se completa adequadamente durante a gestação, persiste uma membrana na porção inferior, gerando obstrução no recém-nascido.

Oclusão no adulto (abaixo do saco) - EyeSmart

Via lacrimal normal (American Academy of Ophthalmology)

Local da oclusão no bebê (inferiormente no canal lacrimal) - Thomas EyeGroup
Quando há oclusão dos pontos e/ou canalículos lacrimais, ocorre somente lacrimejamento excessivo. Se a oclusão estiver abaixo do saco lacrimal, aparece também secreção ocular, constituindo o quadro de dacriocistite (inflamação do saco lacrimal). Em 90% dos casos de dacriocistite em adultos a causa é desconhecida, mas existem fatores predisponentes:
- Traumas
- Infecções
- Cirurgias nasais
- Ducto nasolacrimal ósseo estreito
- Fatores vasculares
- Desequilíbrio hormonal local
- Influência microbiana
- Anormalidades nasais
- Comprometimento das defesas locais
Sintomas associados - quando se preocupar?
Os bebês já nascem com secreção ocular. O lacrimejamento manifesta-se visível nos primeiros 30 dias e torna-se crônico enquanto houver obstrução. Vem acompanhado de secreção mucopurulenta, secreção nos cílios e refluxo de lágrima ao comprimir o saco lacrimal. Sinais de alerta em bebês:
- Presença de secreção desde o nascimento
- Olhos lacrimejantes principalmente após 30 dias
- Refluxo de secreção à massagem do saco lacrimal
- Área elevada da pele no canto dos olhos
- Geralmente não há conjuntivite - o olho aparece branco
No adulto, o excesso de lacrimejamento e a secreção são constantes. Presença de abaulamento no canto do olho, pele avermelhada e dor local são outros sinais que aparecem na dacriocistite aguda. Geralmente o paciente se queixa de embaçamento visual decorrente da presença de lágrima.
Existem inúmeros problemas oculares que também provocam o lacrimejar - como gripe ou alergia -, mas nesses casos a lágrima é temporária ou intermitente. Secreção esbranquiçada pode ocorrer principalmente na alergia, enquanto nas dacriocistites aparece secreção purulenta.

olho lacrimejando
Diagnóstico - como é feita a avaliação das vias lacrimais
O diagnóstico no recém-nascido se baseia na história e nos sinais clínicos. A secreção ocular ocorre desde o nascimento; o lacrimejamento tende a ser visível após 20 dias e excessivo após 30 dias. Testes simples podem ser realizados no consultório, sem anestesia:
- Teste de Milder: 1 gota de fluoresceína em cada olho - o normal é desaparecer em 5 minutos; se persistir, há falha na drenagem.
- Teste de Jones: instilar o colírio repetidamente; após 5 minutos, verificar com cotonete se chegou à cavidade nasal. Cotonete amarelo = via permeável; branco = via obstruída.
Exames mais complexos - dacriocistografia, tomografia, cintilografia e ressonância magnética - são indicados para cada caso específico. Através da consulta online é possível orientar o diagnóstico e determinar quais exames devem ser solicitados.
Opções de tratamento para olhos lacrimejando
Nas crianças, o tratamento segue fases:
- Higiene ocular com soro fisiológico e massagem do saco lacrimal. Antibióticos somente quando há conjuntivite associada; a massagem diária pode romper a membrana oclusiva e curar o processo.
- Sondagem: perfuração e remoção da membrana que fecha o canal lacrimal, preferencialmente sob visualização direta com endoscópio.
- Dacriocistorrinostomia externa, se as fases anteriores falharem.
- Prótese lacrimal (somente em crianças grandes e colaborativas).
A dacriocistite no adulto se resolve com a dacriocistorrinostomia (externa ou endonasal), cujos resultados de cura são superiores a 90%. Não há tratamento clínico. A cirurgia restabelece a permeabilidade do ducto lacrimal e o volume das lágrimas diminui para níveis basais. Em casos de insucesso, somente as próteses lacrimais podem restaurar o fluxo normal.
Dra. Marilisa Nano - especialista em vias lacrimais
A Dra. Marilisa Nano dedica-se à área das vias lacrimais há mais de 40 anos. Chefiava o Ambulatório de Vias Lacrimais no HC da Unicamp, onde supervisionava residentes de Oftalmologia no atendimento de casos encaminhados de Campinas, do estado de São Paulo e de outros estados brasileiros - um serviço de referência em todo o Brasil. Atualmente atende pacientes de qualquer parte do Brasil por meio de consulta online.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se você apresenta lacrimejamento persistente, procure uma especialista para o diagnóstico correto.
