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Vias Lacrimais - Tratamento com Especialista

As vias lacrimais formam o sistema de drenagem das lágrimas. Alterações nesse sistema causam lacrimejamento, infecções e desconforto. Saiba tudo sobre as condições mais comuns e seus tratamentos.

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Vias Lacrimais - Tratamento com Especialista | Dra. Marilisa Nano

O que são as vias lacrimais?

As vias lacrimais fazem parte de um sistema de drenagem natural dos olhos, distribuindo e eliminando as lágrimas para manter os olhos lubrificados, protegidos e saudáveis. A produção da parte aquosa da lágrima começa na glândula lacrimal. As lágrimas são coletadas pelos pontos lacrimais superior e inferior, drenadas para os respectivos canalículos, confluem para o saco lacrimal e percorrem o ducto lacrimal até o meato inferior da cavidade nasal.

O músculo orbicular das pálpebras contribui para o bombeamento mecânico das lágrimas. A falha nessa contração pode causar lacrimejamento persistente nos casos de bloqueio funcional. O volume diário de lágrima é de cerca de 7 µL - 90% absorvidos pelos tecidos e 10% evaporados, impedindo coriza constante.

Ilustração anatômica das vias lacrimais

Principais doenças das vias lacrimais

O lacrimejamento é um sinal clínico presente e constante nas doenças das vias lacrimais, mas não é exclusivo delas - inúmeras afecções oculares também cursam com excesso de lágrima. Por isso, exames para avaliação da via de drenagem são fundamentais para o diagnóstico diferencial.

A dacriocistite é a doença mais comum do sistema de drenagem lacrimal - inflamação do saco lacrimal geralmente causada pela obstrução do ducto lacrimal, levando ao acúmulo de lágrimas, lacrimejamento constante e secreção ocular. Pode ser classificada como crônica ou aguda.

A obstrução classifica-se em adquirida (primária ou secundária) ou congênita. A obstrução primária adquirida compreende 90% dos casos, de causa desconhecida. Na forma congênita, a obstrução deve-se à membrana na válvula de Hasner e ocorre em 6 a 20% dos bebês.

Os tumores das vias lacrimais são muito raros; exames por imagem são fundamentais sempre que houver abaulamento no canto interno em adultos. Lacerações mediais das pálpebras devem ser encaminhadas imediatamente ao especialista - a mordida por cachorro é a causa mais comum de lesão do canalículo em todo o mundo.

Exames para avaliação das vias lacrimais

A investigação das vias lacrimais é fundamental para identificar possíveis obstruções, alterações na drenagem das lágrimas e outras condições que podem causar lacrimejamento excessivo, secreção ou infecções recorrentes. A escolha dos exames depende da idade do paciente, dos sintomas apresentados e da suspeita clínica.

Sondagem dos canalículos

Na sondagem, uma sonda lacrimal delicada é introduzida pelos canalículos para avaliar a passagem da via lacrimal. Durante o exame, o médico observa a resistência encontrada ao longo do trajeto.

Quando a sonda atinge um chamado "ponto duro", isso geralmente indica que não há obstrução no canalículo, pois a sonda alcançou a parede óssea após percorrer adequadamente o trajeto. Já a presença de um "ponto mole" pode sugerir bloqueio ou obstrução canalicular.

Irrigação das vias lacrimais

A irrigação é realizada com solução salina, utilizando uma seringa e uma cânula fina. O objetivo é verificar se o líquido consegue percorrer a via lacrimal até a garganta.

Quando o paciente está deitado e a solução chega à orofaringe, considera-se que a via lacrimal está aberta, ou seja, permeável. Quando o líquido retorna totalmente pelos pontos lacrimais, há suspeita de obstrução no sistema de drenagem.

Testes com corantes

Os testes com corantes utilizam colírio de fluoresceína, uma substância de cor amarela intensa, indolor e segura. Esses exames são especialmente úteis em crianças ou em adultos com dificuldade de colaboração durante a avaliação.

Teste de Milder

Nesse teste, uma gota de fluoresceína é aplicada em cada olho. Após cerca de cinco minutos, observa-se se houve desaparecimento do corante.

Quando o olho fica claro, sem acúmulo do colírio, significa que a drenagem ocorreu adequadamente. Se a coloração amarela persistir, pode haver dificuldade de drenagem ou bloqueio da via lacrimal.

Teste de Jones modificado

No Teste de Jones modificado, o colírio de fluoresceína é aplicado algumas vezes nos olhos e, após aproximadamente 30 minutos, um cotonete é posicionado na cavidade nasal.

Se o cotonete apresentar coloração amarela, isso indica que a via lacrimal está aberta. Caso permaneça branco, não é possível afirmar, de forma definitiva, que existe obstrução, pois algumas variações anatômicas, como uma cavidade nasal mais estreita, podem dificultar a detecção do corante.

Dacriocintilografia

A dacriocintilografia é um exame menos utilizado na rotina, sendo mais indicado em casos específicos de suspeita de bloqueios funcionais. Como não permite uma análise detalhada da anatomia das vias lacrimais, sua utilidade é limitada nos casos de obstruções anatômicas.

Endoscopia nasal

A endoscopia nasal tem papel importante na avaliação de diversos problemas lacrimais, especialmente no planejamento cirúrgico, durante o procedimento ou no acompanhamento pós-operatório.

Por meio desse exame, é possível avaliar a cavidade nasal e identificar alterações que possam interferir na drenagem lacrimal ou no resultado do tratamento.

Exames de imagem

Em alguns casos, exames de imagem podem ser necessários para complementar a investigação. Entre eles estão a dacriocistografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

Esses exames ajudam a explorar melhor a anatomia das vias lacrimais e podem contribuir para o esclarecimento diagnóstico quando os testes clínicos e com corantes não são suficientes.

Opções de tratamento das vias lacrimais

As opções de tratamento vão desde conduta expectante até antibioticoterapia local ou sistêmica, passando por cirurgias diversas - de uma simples sondagem até a colocação de próteses lacrimais para os casos mais complexos.

  • Sondagem em bebê: processo minimamente invasivo com alta porcentagem de sucesso. Entubação com silicone nos casos de recorrência e estreitamento associado.
  • Dacriocistorrinostomia: grande variedade de técnicas indicadas especificamente para cada tipo de obstrução.
  • Reconstrução canalicular: procedimento complexo que requer muita experiência cirúrgica. Somente um especialista em vias lacrimais tem recursos para conduzir esses casos.

Por que escolher a Dra. Marilisa Nano?

A Dra. Marilisa Nano é referência nacional em vias lacrimais, com mais de 40 anos de experiência. Chefiou o Ambulatório de Vias Lacrimais do HC Unicamp, realizou doutorado com pesquisa específica em vias lacrimais e foi ex-presidente da Sociedade Brasileira de Plástica Ocular, Órbita e Vias Lacrimais. Coordenou o livro "Oftalmologia para o Clínico" - o primeiro editado no Brasil dirigido a estudantes de medicina que cursam Oftalmologia.

O atendimento online é dirigido a qualquer pessoa em todo o Brasil interessada em obter informações sobre problemas das vias lacrimais. A consulta inclui anamnese detalhada, análise de exames, orientação diagnóstica e encaminhamento para procedimentos quando necessário.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se você apresenta lacrimejamento, secreção ou infecções recorrentes nos olhos, procure uma especialista para o diagnóstico correto.

Dra. Marilisa Nano - Clínica de Oftalmologia em Campinas
Escrito por

Dra. Marilisa Nano

CRM 20861 SP · RQE 5113

Oftalmologista especialista em vias lacrimais, com +50 anos dedicados à área. Doutora pela Unicamp e ex-presidente da SBCPO. Ver perfil

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