O lacrimejamento é o sintoma predominante
O lacrimejamento é o sintoma predominante na maioria dos casos de obstrução lacrimal em bebês. Achados esperados no exame incluem aumento no tamanho do menisco lacrimal, detritos de secreção nos cílios, refluxo de lágrimas ou secreção mucoide no olho através dos pontos lacrimais à palpação do saco lacrimal.
O lúmen do ducto pode diminuir progressivamente durante o desenvolvimento fetal, podendo levar ao fechamento completo e à dilatação do saco lacrimal. Clinicamente, uma protuberância do canto medial resultante do saco lacrimal aumentado é um sinal característico de imperfuração congênita — denominada dacriocistocele. Geralmente há o desenvolvimento de infecção do saco lacrimal denominada dacriocistite. Secreção mucosa ou purulenta são frequentemente visíveis saindo dos pontos lacrimais após pressão do saco lacrimal.
Tipos de obstrução: distal e proximal
Há dois tipos de obstrução: distal, com a localização na parte inferior do ducto, e proximal, situada na junção canalículo-saco lacrimal ou no canalículo. Quando o local é inferior, é frequente aparecer infecção e pus; na obstrução alta ocorre somente lacrimejamento, sem secreção purulenta.
A mãe ou cuidadora observará se o bebê tem esses sinais clínicos. Se for sugestivo, deve-se fazer a compressão do saco lacrimal. Na maioria das vezes há refluxo de secreção para o olho em caso positivo da anomalia lacrimal — o refluxo pode ser de lágrima ou secreção mucopurulenta.
Como o médico faz o diagnóstico?
O especialista realiza uma avaliação completa para confirmar a obstrução e afastar outras condições. Os exames incluem:
- Avaliação clínica: exame dos pontos lacrimais e posição das pálpebras, digitopressão, observação do menisco lacrimal e do canto interno.
- Teste do desaparecimento da fluoresceína e Teste de Jones: testes com o colírio de fluoresceína — observa-se em ambos se ele surge na cavidade nasal após ser instilado no olho.
- Digitopressão: ausência de refluxo (normal); refluxo de secreção aquosa, mucosa ou purulenta (estreitamento ou oclusão).
- Irrigação da via lacrimal com solução salina: ausência de refluxo (normal) ou refluxo de lágrima, muco ou pus (obstrução).
- Sondagem diagnóstica dos canalículos: sem obstáculo à introdução da sonda (via alta normal); obstáculo a nível do canalículo ou na transição canalículo-saco lacrimal (oclusão da via alta).
- Exames radiológicos e ultrassom: indicados somente quando os testes anteriores falharem em determinar o diagnóstico.
Patologias associadas à dacriocistite congênita
Algumas condições podem estar associadas à dacriocistite congênita e precisam ser identificadas durante a avaliação:
- Ausência dos pontos lacrimais
- Blefarite — inflamação da borda das pálpebras
- Fístula do saco lacrimal — canal formado entre saco e pele
- Dacriocistocele — dilatação do saco lacrimal
- Ausência de canalículo
- Bloqueio funcional (Síndrome de Down) — provável problema muscular
- Imperfuração de pontos lacrimais — ausência de pontos
- Ausência do canal lacrimal
Tratamento: etapas em ordem de prioridade
Diante da positividade diagnóstica de um quadro obstrutivo, o tratamento se realiza em etapas progressivas:
- Higiene das pálpebras com solução salina.
- Tratamento clínico: colírio de antibiótico se necessário.
- Tratamento cirúrgico, nesta ordem de opções:
- Sondagem lacrimal
- Dacriocistorrinostomia
- Prótese lacrimal (em crianças maiores)
Consulta online para pais
Se o olhinho do seu bebê está sempre lacrimejando, a Dra. Marilisa Nano pode orientar os pais por consulta online sobre o diagnóstico, o momento certo de intervir e o tratamento mais adequado para cada caso — sem precisar sair de casa.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se o olho do seu bebê apresenta lacrimejamento ou secreção persistente, procure uma especialista para o diagnóstico correto.
