Lacrimejamento excessivo: causas vão muito além do canal lacrimal
A presença apenas de lágrimas no adulto não significa necessariamente que existe anomalia da via lacrimal. São inúmeras as causas de lacrimejamento excessivo — e identificar a origem correta é o primeiro passo para o tratamento adequado.
Fatores que o especialista avalia na consulta
Quando um paciente apresenta lacrimejamento excessivo, o especialista considera os seguintes fatores para identificar a causa:
Características do início e da duração
- Início súbito ou gradual: o surgimento repentino sugere causas agudas (corpo estranho, infecção, trauma), enquanto o início gradual aponta para o estreitamento do ducto lacrimal, que se desenvolve progressivamente.
- Frouxidão das pálpebras relacionada à idade: produz drenagem insuficiente da lágrima, gerando lacrimejamento constante.
Padrão e distribuição do lacrimejamento
- Sazonal: sugere alergia.
- Variação diurna: lacrimejamento e dor logo ao acordar podem sugerir erosão corneana recorrente.
- Unilateral: causas locais como corpo estranho, úlcera de córnea, ceratite, glaucoma ou irite são mais propensas a causar lacrimejamento unilateral.
- Bilateral: conjuntivites, ceratites, glaucoma congênito, irite, corpo estranho.
- Constante ou intermitente: processos inflamatórios oculares crônicos.
Sintomas associados
- Gravidade: comprometimento de córnea, íris, pressão intraocular ou pálpebra.
- Dor: indica gravidade do quadro — acometimento da córnea, íris, pálpebra e pressão intraocular.
- Coceira: ocorre nas alergias, que podem ser sazonais ou causadas por colírios (colírios para glaucoma são uma causa comum).
- Queimação e desconforto ao piscar, pior pela manhã: podem estar associados à síndrome do olho seco.
- Sensação de areia nos olhos: característica das conjuntivites.
Fatores ambientais, cosméticos e medicamentos
- Fatores ambientais: pacientes queixam-se de lacrimejamento em ambiente refrigerado.
- Maquiagem: alergia pode ser decorrente de certos componentes dos produtos.
- Medicamentos oftálmicos: colírios como pilocarpina, iodeto de fosfolina e idoxuridina são conhecidos por causar obstrução lacrimal.
- Histórico de quimioterapia: vários quimioterápicos causam cicatrizes e oclusão canalicular.
- Radiação: oclusão canalicular induzida por radioterapia da região periorbital para tratamento do carcinoma basocelular (câncer de pele).
Histórico cirúrgico e neurológico
- Histórico de trauma nasal: fraturas envolvendo o canal lacrimal.
- Cirurgia nasal ou dos seios da face: a obstrução do canal lacrimal pode estar associada a lesões provocadas por cirurgias sinusais prévias.
- Cirurgia palpebral prévia: pode resultar em má posição das pálpebras com lacrimejamento associado.
- Paralisia facial: acompanha eversão da pálpebra inferior para fora e má oclusão ocular.
- Cirurgias prévias intracranianas ou da parótida: sugerem disfunção prévia do nervo facial.
Lacrimejamento associado à alimentação: as "lágrimas de crocodilo"
Quando o lacrimejamento está associado à alimentação, mastigação ou fala — geralmente unilateral — está relacionado à regeneração nervosa aberrante do sétimo nervo, fenômeno conhecido como "lágrimas de crocodilo".
Tipo de secreção: dado essencial para o diagnóstico
- Secreção purulenta: indica infecção bacteriana.
- Secreção sanguinolenta: pode estar associada a um tumor do saco lacrimal — exige investigação imediata.
- Secreção filamentosa: ocorre nas alergias.
- Secreção serosa (lágrima): aparece em todos os processos inflamatórios da superfície ocular.
Quando consultar um especialista?
Considerando as informações apresentadas, se você tiver lacrimejamento secundário a uma anomalia do canal lacrimal — ou se o lacrimejamento for persistente, acompanhado de secreção ou dor — busque avaliação com um oftalmologista especialista em vias lacrimais.
A Dra. Marilisa Nano realiza consultas online para todo o Brasil, orientando sobre o diagnóstico e o tratamento mais adequado para cada caso.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se você apresenta lacrimejamento excessivo, procure uma especialista para o diagnóstico correto.
