Vias Lacrimais

Por Que os Meus Olhos Lacrimejam Tanto? Causas

Dra. Marilisa Nano 29 Julho
 Por Que os Meus Olhos Lacrimejam Tanto? Causas

Lacrimejamento excessivo: causas vão muito além do canal lacrimal

A presença apenas de lágrimas no adulto não significa necessariamente que existe anomalia da via lacrimal. São inúmeras as causas de lacrimejamento excessivo — e identificar a origem correta é o primeiro passo para o tratamento adequado.

Fatores que o especialista avalia na consulta

Quando um paciente apresenta lacrimejamento excessivo, o especialista considera os seguintes fatores para identificar a causa:

Características do início e da duração

  • Início súbito ou gradual: o surgimento repentino sugere causas agudas (corpo estranho, infecção, trauma), enquanto o início gradual aponta para o estreitamento do ducto lacrimal, que se desenvolve progressivamente.
  • Frouxidão das pálpebras relacionada à idade: produz drenagem insuficiente da lágrima, gerando lacrimejamento constante.

Padrão e distribuição do lacrimejamento

  • Sazonal: sugere alergia.
  • Variação diurna: lacrimejamento e dor logo ao acordar podem sugerir erosão corneana recorrente.
  • Unilateral: causas locais como corpo estranho, úlcera de córnea, ceratite, glaucoma ou irite são mais propensas a causar lacrimejamento unilateral.
  • Bilateral: conjuntivites, ceratites, glaucoma congênito, irite, corpo estranho.
  • Constante ou intermitente: processos inflamatórios oculares crônicos.

Sintomas associados

  • Gravidade: comprometimento de córnea, íris, pressão intraocular ou pálpebra.
  • Dor: indica gravidade do quadro — acometimento da córnea, íris, pálpebra e pressão intraocular.
  • Coceira: ocorre nas alergias, que podem ser sazonais ou causadas por colírios (colírios para glaucoma são uma causa comum).
  • Queimação e desconforto ao piscar, pior pela manhã: podem estar associados à síndrome do olho seco.
  • Sensação de areia nos olhos: característica das conjuntivites.

Fatores ambientais, cosméticos e medicamentos

  • Fatores ambientais: pacientes queixam-se de lacrimejamento em ambiente refrigerado.
  • Maquiagem: alergia pode ser decorrente de certos componentes dos produtos.
  • Medicamentos oftálmicos: colírios como pilocarpina, iodeto de fosfolina e idoxuridina são conhecidos por causar obstrução lacrimal.
  • Histórico de quimioterapia: vários quimioterápicos causam cicatrizes e oclusão canalicular.
  • Radiação: oclusão canalicular induzida por radioterapia da região periorbital para tratamento do carcinoma basocelular (câncer de pele).

Histórico cirúrgico e neurológico

  • Histórico de trauma nasal: fraturas envolvendo o canal lacrimal.
  • Cirurgia nasal ou dos seios da face: a obstrução do canal lacrimal pode estar associada a lesões provocadas por cirurgias sinusais prévias.
  • Cirurgia palpebral prévia: pode resultar em má posição das pálpebras com lacrimejamento associado.
  • Paralisia facial: acompanha eversão da pálpebra inferior para fora e má oclusão ocular.
  • Cirurgias prévias intracranianas ou da parótida: sugerem disfunção prévia do nervo facial.

Lacrimejamento associado à alimentação: as "lágrimas de crocodilo"

Quando o lacrimejamento está associado à alimentação, mastigação ou fala — geralmente unilateral — está relacionado à regeneração nervosa aberrante do sétimo nervo, fenômeno conhecido como "lágrimas de crocodilo".

Tipo de secreção: dado essencial para o diagnóstico

  • Secreção purulenta: indica infecção bacteriana.
  • Secreção sanguinolenta: pode estar associada a um tumor do saco lacrimal — exige investigação imediata.
  • Secreção filamentosa: ocorre nas alergias.
  • Secreção serosa (lágrima): aparece em todos os processos inflamatórios da superfície ocular.

Quando consultar um especialista?

Considerando as informações apresentadas, se você tiver lacrimejamento secundário a uma anomalia do canal lacrimal — ou se o lacrimejamento for persistente, acompanhado de secreção ou dor — busque avaliação com um oftalmologista especialista em vias lacrimais.

A Dra. Marilisa Nano realiza consultas online para todo o Brasil, orientando sobre o diagnóstico e o tratamento mais adequado para cada caso.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual. Se você apresenta lacrimejamento excessivo, procure uma especialista para o diagnóstico correto.


Dra. Marilisa Nano - Clínica de Oftalmologia em Campinas
Escrito por

Dra. Marilisa Nano

CRM 20861 SP · RQE 5113

Oftalmologista especialista em vias lacrimais, com +50 anos dedicados à área. Doutora pela Unicamp e ex-presidente da SBCPO. Ver perfil

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